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Ensinamento

Encarte ou mestre?

Ensinar o filhote com um pássaro-mestre ou com uma gravação? Um dos temas que mais dividem os criadores de Timbrado. Veja o que diz o código, os prós e contras de cada caminho e os cuidados em comum.

Por que essa pergunta existe

O filhote de Timbrado aprende o que ouve. No canto plástico, que vai até por volta dos 5 ou 6 meses, ele experimenta giros que escuta de outros pássaros e até de sons do ambiente. Depois disso o canto cristaliza, muitas vezes em menos de uma semana, e fica fixo. Veja quando ensinar o filhote.

Então a pergunta de todo criador é: o que o meu filhote vai ouvir nessa fase? Há dois caminhos:

  • Mestre: um macho adulto de bom canto fica perto dos filhotes, que copiam o que ouvem.
  • Encarte: uma gravação com o repertório desejado é tocada para os filhotes.

O que diz o código

O código de canto espanhol (FOCDE, 2018) diz que o canto plástico é o melhor momento para começar o ensinamento. Ou seja, ensinar é aceito no Timbrado.

Mas o código não define o método: não fala em mestre, em gravação, em horas por dia. Também não há regra da FOB sobre isso. O que existe é a experiência dos criadores, e é ela que alimenta a polêmica.

O mestre

É o caminho tradicional. Foi com mestres, junto com a seleção, que as raças de canto se formaram.

A favor

  • O filhote ouve um canto natural, com pausas, respiração e variação de verdade.
  • Um bom mestre passa o repertório de uma linhagem que você conhece.

Contra

  • O filhote copia tudo, inclusive os defeitos: um giro que o mestre “estraga”, um canto que acelera.
  • Bons mestres são raros, e os criadores costumam guardá-los.
  • Se o mestre adoece, entra em muda fora de hora ou morre, o criador fica sem quem ensine no meio da temporada.

Cuidados

  • Muitas vezes o mestre também é reprodutor. Criadores relatam que o contato com as fêmeas pode fazer o macho perder qualidade de canto. Por isso a recomendação é deixá-lo o mínimo de tempo com as fêmeas e, se der, separar a sala de cria da sala de ensino.

O encarte

É o caminho mais recente: uma gravação com o canto que se quer ensinar, tocada para os filhotes.

A favor

  • A gravação não adoece, não entra em muda e não morre. Há quem diga que é um mestre que nunca falta.
  • Dá para escolher o repertório: incluir notas que andam raras nos plantéis, como a Água Lenta, e deixar de fora o que não se quer.
  • O canto ensinado é sempre o mesmo, todos os dias.

Contra

  • O risco mais citado é um canto “robotizado”: pássaros que soam todos iguais, sem a naturalidade de um canto vivo.
  • Gravação ruim ensina errado: chiado, eco ou timbre artificial também são copiados.
  • O próprio defensor do método reconhece um efeito colateral: o criador pode ganhar concursos sem conhecer de verdade o repertório do seu plantel.
  • O filhote nunca canta igual ao áudio, e o resultado não é garantido.
  • Existe troca e cópia de gravações entre criadores, nem sempre com autorização de quem gravou.

Cuidados

  • Usar uma gravação limpa, de um canto que valha a pena copiar.
  • Não tocar o áudio o dia inteiro sem critério: o que se busca é ensinar, não cansar o pássaro.

Lado a lado

Mestre Encarte
O que é Pássaro adulto que canta perto dos filhotes Gravação tocada para os filhotes
Canto ensinado Natural, com variação real Sempre igual, escolhido pelo criador
Maior risco Passar defeitos do mestre Canto robotizado, todo igual
Ponto fraco Mestre raro e que pode faltar Depende da qualidade da gravação
Exige do criador Bom manejo do mestre e da cria Conhecer bem o repertório que está ensinando

O que vale para os dois

  • Isolar os filhotes de sons que você não quer que eles aprendam: outros pássaros, outras raças, barulho da casa.
  • Adultos em muda não devem ficar no mesmo ambiente que os filhotes.
  • Começar no tempo certo: o ensinamento é no canto plástico. Depois que o canto cristaliza, já é tarde.
  • Genética primeiro. Nenhum método faz milagre: a voz e a capacidade de aprender vêm da linhagem. O ensinamento define o repertório, a genética define até onde o pássaro chega.

Como faço aqui no canaril

Como estou começando e tenho poucos machos, hoje eu uso o encarte.

Com o tempo, fui percebendo que o melhor seria juntar os dois caminhos: gravar bem o canto do seu melhor mestre e usar essa gravação para ensinar os filhotes. Assim o filhote aprende o canto de um pássaro que você conhece, da sua própria linhagem, com a regularidade do áudio. E o mestre não precisa estar sempre por perto, nem em plena forma, durante toda a temporada.

É o caminho que quero seguir à medida que o plantel crescer.

Fontes

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